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O Livro Azul - Capítulo 5

O Livro Azul 

COMO FUNCIONA

Raramente temos visto fracassar uma pessoa que tenha seguido cuidadosamente o nosso caminho. As pessoas que não se recuperam são as que não conseguem ou não querem entregar-se inteiramente a este programa que é simples. São geralmente homens e mulheres incapazes, por sua própria natureza, de ser honestos consigo mesmos. Existem tais infelizes. Eles não têm culpa. Parece que nasceram assim. São naturalmente incapazes de entender e adoptar um modo de vida que exija uma rigorosa honestidade. Para tais pessoas, as probabilidades de êxito são menores do que o comum. Há ainda aquelas que sofrem de graves perturbações emocionais e mentais, mas muitas delas conseguem realmente recuperar-se, quando têm a capacidade de ser honestas. 
As nossas histórias descrevem de um modo geral como éramos, o que nos aconteceu e como somos agora. Se decidiu que quer o que nós temos e está disposto a fazer tudo o que for preciso para o conseguir, então está preparado para dar certos passos. 

Muitos de nós exclamámos: "Que tarefa tão difícil! Não consigo fazer isto tudo". Não desanime. Nenhum de nós conseguiu seguir estes princípios de um modo perfeito. Não somos santos. O importante é estarmos dispostos a crescer espiritualmente. Os princípios que enunciamos são guias para progredir. Pretendemos o progresso espiritual e não a perfeição espiritual. 
A nossa descrição do alcoólico, o capítulo sobre os agnósticos e as nossas histórias pessoais, antes e depois da recuperação, evidenciam três ideias pertinentes: 
(a) Que éramos alcoólicos e não conseguíamos governar as nossas próprias vidas. 
(b) Que provavelmente nenhum poder humano teria conseguido aliviar o nosso alcoolismo. 
(c) Que Deus poderia e o faria se Ele fosse procurado. 
Finalmente convencidos, chegámos ao Terceiro Passo, em que decidimos entregar a nossa vontade e a nossa vida aos cuidados de Deus, como O concebíamos. O que queremos dizer exactamente com isto e o que temos de fazer? 

Passámos assim em revista as nossas vidas. O que mais contava era não deixarmos nada de fora e sermos honestos. Quando terminámos, examinámos cuidadosamente o nosso inventário. O que ressaltou de imediato foi que o mundo e as pessoas estavam frequentemente erradas. Concluir que os outros estavam errados era até onde a maior parte de nós conseguia chegar. O resultado habitual era que as pessoas continuavam a ser injustas connosco e nós ficávamos magoados. Por vezes tínhamos remorsos e então era contra nós mesmos que se virava a raiva. Mas quanto mais lutávamos e tentávamos adaptar o mundo aos nossos desejos, mais tudo se agravava. Tal como na guerra, o vencedor só ganhava em aparência. Os nossos momentos de triunfo eram de curta duração. 
É evidente que uma vida que inclui profundos ressentimentos só conduz à futilidade e infelicidade. Durante o tempo em que nos permitimos ter estes ressentimentos, desperdiçamos horas que podiam ter valido a pena. Mas para o alcoólico, cuja única esperança é manter e desenvolver uma experiência espiritual, a questão do ressentimento é extremamente grave. Percebemos que é fatal, porque quando abrigamos estes sentimentos, fechamo-nos à luz do Espírito. A loucura do álcool regressa e voltamos a beber. E para nós, beber é morrer. 
Se quiséssemos viver, tínhamos de nos libertar da raiva. Os amuos e as fúrias súbitas não eram para nós. As pessoas normais podem dar-se a esse luxo duvidoso, mas para nós alcoólicos isso é veneno. 
Voltámo-nos de novo para a nossa lista, porque continha a chave do futuro. Estávamos preparados para examiná-la por um ponto de vista completamente diferente. Começámos a perceber que na realidade o mundo e as pessoas nos dominavam. Assim, o mal que os outros causavam, fosse ele imaginário ou real, tinha efectivamente o poder de nos matar. Como é que podíamos fugir a isto? Percebemos que tínhamos de superar estes ressentimentos, mas como? Não conseguíamos ver-nos livres deles só pelo facto de querer, do mesmo modo que também não tínhamos conseguido libertar-nos do álcool. 
O caminho que seguimos foi o seguinte: percebemos que as pessoas que eram injustas para connosco talvez estivessem doentes espiritualmente. Embora não gostássemos dos sintomas que manifestavam nem do modo como nos perturbavam, elas estavam doentes, exactamente como nós. Pedimos a Deus que nos ajudasse a mostrar-lhes a mesma tolerância, compaixão e paciência que teríamos de bom grado com um amigo doente. Quando alguém nos ofendia, dizíamos para nós mesmos: "É uma pessoa doente. Como posso ajudá-la. Que Deus me livre de me zangar. Seja feita a Tua vontade". 
Evitámos represálias ou discussões. Não trataríamos assim pessoas doentes. Se o fizermos, destruímos a oportunidade de sermos úteis. Não é possível ajudarmos todas as pessoas, mas Deus pode, pelo menos, mostrar-nos como tratar todos e cada um dos nossos semelhantes com bondade e tolerância..